Soho Rezanejad atinge a maioridade psicológica no synthpop de ‘Six Archetypes’ – Tracker Magazine

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Soho Rezanejad atinge a maioridade psicológica no synthpop de ‘Six Archetypes’

75%Overall Score

A dinamarquesa de ascendência iraniana Soho Rezanejad ganhou estatuto artístico no âmbito das suas colaborações com os Gold Lip, os Lust For Youth e Kasper Bjorke, criando com a sua aura de femme fatale e timbres gelados um alvoroço que em 2015 originou o EP a solo Idolatry.



As texturas de cada música flutuam de forma equilibrada entre as batidas agressivas do techno que reforçam as afirmações aguerridas das suas letras e os momentos em que a mais pura melancolia e fragilidade conseguem apanhar de surpresa. As batidas cruas e a prosa poética premeiam o seu trabalho e transportam consigo ambiências díspares, em que a componente electrónica se debate amiúde com o registo mais humano das narrativas emocionais que Soho solta, como se uma Banshee se apoderasse da sua pessoa e desnudasse a alma sem rede de protecção.

Em Idolatry, Soho trouxe consigo um desfilar de amor, êxtase e desespero em loop contínuo, mapeando um ciclo interminável dos começos e fins que quase sempre resultam em desespero e vulnerabilidade. Os sintetizadores e os beats repetitivos com sabor a cyberpunk, configuram a intensidade com que a acidez da sua voz despe o caos das emoções e lança de forma vertiginosa, de faixa em faixa, batimentos cardíacos com pontuais respirações mais suaves para orientar a desorem da complexidade das emoções.

Em Janeiro deste ano, Soho Rezanejad deu à luz um novo registo, investindo corpo e alma numa invejável imersão no pensamento filosófico e político ao conceber novas formas e limites incomuns em pautas transgressivas guiadas pelos conceitos jungianos dos arquétipos da psique humana. Ao longo de Six Archetypes – o seu longa-duração de estreia, editado a 19 de Janeiro -, as faculdades e percepções mentais do inconsciente colectivo tornam-se uma experiência de consciência individual ao serem representados e dissecados de forma febril pelos instrumentos e experimentação vocal de Rezanejad.

“The Guardian”, “The Orphan”, “The Seeker”, “The Russian”, “The Idealist” e “The Prostitute” apresentam-se como metáforas instigadoras de comportamentos sociais e são iluminados e magnificados pelo talento criativo e disruptivo da artista. As restantes faixas intermédias servem de arpão para seduzir e mergulhar o ouvinte num intrincado reflexo de mentes individuais, compartilhadas pela astuta batuta mágica de Rezanejad.

A habilidade na construção das composições criam uma atmosfera digna de uma banda sonora a ser usada numa qualquer tragédia iminente em que o domínio e controlo vocal se fundem em melodias tortuosas arrancadas aos sintetizadores, diluindo-se ou agudizando nas reverbações da guitarra e nos efeitos em loop da bateria. A faixa de abertura “Pilot: The Guardian” expõe a espessura dramática dos sintetizadores em que se envolvem as palavras quase sussurradas que recordam Laurie Anderson ou Nico, pela entrega e paixão crua com que provoca os ouvintes a participarem na aversão a essa divisão socialmente forçada.

Mas é o primeiro single, e consequente primeiro de uma série de vídeos com que pretende conceptualmente ilustrar o disco, “Greed Wears a Disarming Face”, o tema que melhor representa o álbum: sete minutos e meio que gradualmente vão aumentando a força e o impulso com uma almofada de linhas de baixo e, aqui e ali, pontilhados electrónicos envolvidos nas qualidades etéreas da voz de Soho, finalizando num arremesso final que encandeia a estrutura interna dos menos preparados.

Six Archetypes não é um disco fácil de definir e em alguns momentos pode tornar-se de alguma forma estranho ou mesmo invasivo, se comparado com o mais linear electro-pop de Idolatry. Mas a personalidade e as invocações intensamente pessoais e apaixonadas que transmite através de um controlo absoluto da sua voz, que empareda conceptualmente uma instrumentalização mais complexa e densa, transmuta-se numa experiência única e genuína de mestria e audição, com a revelação madura de um talento que se antevê muito especial.



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